Zelador de Maio

Carlos Alberto Machado

Carlos Alberto Machado

Aos 64 anos, 14 deles a serviço do condomínio Edifício Iaccarino, na Rua Felipe Camarão 673, Carlos Alberto Machado, não tem o que reclamar do Bom Fim. Bem humorado, mas afiado na defesa dos moradores do prédio, seu Machado nem pensa em deixar a função, apesar da proximidade com a aposentadoria. “É um trabalho legal, comecei nessa função aqui, saí e voltei, mas sempre ligado ao mesmo patrão, Carlos Henrique Moraes Falero, a quem só tenho elogios”, diz. Mas para quem pensa que o pacato senhor é tão tranqüilo, ele mesmo conta as suas façanhas quando trabalhou no período da noite. “Dentro do prédio é uma paz, nunca deu tumulto, mas na rua sim, já vi várias coisas. Já aconteceu de tudo, referindo-se as incomodações com a “vagabundagem”.
Um fato que ele recorda foi quando um guri assaltou uma senhora na frente do prédio. “Ele correu e eu o agarrei, quase o matei porque esgoelei ele no canteiro, aqui”, disse se vangloriando para o amigo Artêmio Gritti, proprietário da banca de revistas localizada em frente ao condomínio vizinho. Outro foi um cara também roubando que passou por mim e pelo Artêmio de revolver em punho. Já vimos várias, brigas e gritarias. Isso é comum na madrugada, muitos tumultos e sujeirada, urinam tudo aqui na volta”, lamenta.
Atualmente seu nenê não mora no local. Vem diariamente do bairro Medianeira. A sua maior queixa, no entanto, não é sobre segurança. “Olha, a única coisa que sou contra aqui nessa zona aqui é quando chove. O aguaceiro ai não tem limite. Aágua invade o prédio, entra em tudo que é lugar aqui, nas lojas ao lado, é um horror’, Afirma.
Da convivência com os vizinhos só tem o que exaltar. “Dou-me com todo mundo, com os moradores daqui, com os dos prédios vizinhos, todos me conhecem. Acho que só os mais novos podem não me conhecer”, se gaba. Seu nenê é casado com Marcelina Henrique Machado. A esposa já é aposentada e também trabalhou no prédio.
Da sua vida, antes de ser zelador, diz que quando saiu do quartel começou a trabalhar por conta em obra. “Aí, com a falta de serviço na sua especialidade, de colocador de pastilhas, um rapaz de uma das obras em que trabalhei chegou para mim e perguntou se eu não queria trabalhar para ele? Era 1º de julho, uma friagem e ele me trouxe até aqui, de noite, e eu disse que ia experimentar. Foi pela década de 70 e estou aqui até hoje. Só saí para trabalhar em outro prédio dele, na Joaquim Nabuco, e voltei para cá”, recorda. As mudanças de local foram porque, segundo ele, era causador de muito tumulto com os vagabundos da rua.

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