
Principal avenida do bairro agora mescla o comércio moveleiro com livrarias, lojas de vestuário e sapatos, restaurantes, farmácias e bazares
O que já foi o sonho de muitos lojistas do setor moveleiro, o de estar estabelecido num dos mais privilegiados pontos comerciais da cidade, a Avenida Osvaldo Aranha, parece não estar mais atraindo a atenção deste tipo de empreendedor. Vários fatores podem servir como pano de fundo para essa situação, mas os principais são: a necessidade de espaços maiores, onde showroom e depósito possam estar juntos, e falta de vagas para o estacionamento. Também os altos valores do metro quadrado da locação comercial na Osvaldo Aranha, fazem com que os lojistas avaliem muito o investimento a ser empregado para a abertura de seus negócios no Bom Fim.
O que parece ser um problema, no entanto, acaba por beneficiar os moradores do bairro. Com a redução do comércio moveleiro, tem se ampliado o mix de produtos e serviços. O comércio que em um passado recente abrigou ícones como a Móveis Baú, Lojas Friedman, Casa Brasil, JG Decorações, entre outras, que marcaram época e transformaram a Osvaldo Aranha no maior mercado moveleiro de Porto Alegre, agora dá lugar a lojas de vestuário e calçados, livrarias, restaurantes, bazares e farmácias.
Essa realidade permite aos consumidores do próprio Bom Fim um maior aproveitamento do mercado local. Se antes o comércio era uma referência, especialmente para quem vinha de fora, inclusive do interior do Estado, para comprar móveis na Osvaldo Aranha, agora há uma mescla entre o consumidor de fora e o que está sediado na comunidade.
Mas esse é um processo ainda em fase de adaptação. Atualmente, mais de dez imóveis, em média, tem estado disponíveis para locação na Avenida Osvaldo Aranha. Numa rápida caminhada pelo lado comercial da Avenida – o outro margeia o Parque da Redenção – percebe-se facilmente essa realidade. Como são comércios de menor porte, a demora na locação de algumas lojas desocupadas, entre outros fatores, é atribuída principalmente pelos altos preços dos alugueis.
Sentindo o reflexo dessa mudança alguns empresários do ramo moveleiro seguem reduzindo seus negócios. Patrícia Pantaleão, uma das sócias da loja Prata Móveis (Osvaldo Aranha 788), relatou que decidiu entregar o prédio e concentrar as atividades na outra loja da família, a tradicional Scalabrim Móveis. Segundo ela, a permanência na Osvaldo Aranha ficou difícil. “Os proprietários dos imóveis da Osvaldo Aranha cobram valores muito altos pelos aluguéis. Eles preferem cobrar valores caríssimos e deixar as lojas fechadas do que baixar um pouco os aluguéis. Nós, por exemplo, estamos fechando a nossa loja por causa do baixo movimento e do alto custo de manutenção”.




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