O anúncio da realização das Olimpíadas 2016 na cidade do Rio de Janeiro é, por certo, uma boa notícia. Motivar as novas gerações para qualquer prática esportiva, de competição ou não, é um bom exemplo que podemos obter como legado. Juntamente com a Copa 2014 esse é, talvez, o mais importante evento sob a ótica da política esportiva brasileira.
Entretanto, para a sua efetivação plena, sem que todo o investimento financeiro e de alma do povo brasileiro vá embora com os atletas, comissões técnicas e turistas estrangeiros, ao final do evento, é preciso mais do que discurso. É necessária uma ação clara de planejamento, comprometimento e coletivização do sonho de realizar uma Olimpíada no Brasil. Esse é, portanto, o objetivo de muitos, se não de todos os brasileiros, e não de apenas um ou alguns privilegiados.
As vésperas de uma eleição federal e estadual é preciso separar seu uso da política partidária. Caso contrário, as siglas estarão dividindo o que não é seu, de nenhuma legenda, mas de toda a sociedade brasileira.
O exemplo de Barcelona, se analisado corretamente com um modelo a ser seguido, talvez seja o mais próximo do ideal para o Brasil. Mas é preciso adaptá-lo às diversas realidades das comunidades de nosso país, ao nosso ritmo e particularidades. Porém é preciso clareza e sistemas de controle eficazes que sejam capazes de evitar que se contamine pela corrupção existente em larga escala no poder público brasileiro.
Em Porto Alegre, o efeito das Olimpíadas pode ser indiretamente positivo. A motivação de que falamos anteriormente vai exigir um olhar atento dos nossos administradores, clubes e empresários para a necessária estrutura de treinamento de atletas gaúchos para as competições. Mas é do poder público que vem a maior responsabilidade. Pois é ele quem permitirá que muitos anônimos do esporte possam treinar em espaços públicos para as competições em solo carioca.
Parques esportivos como o Ramiro Souto, no Bom Fim, por exemplo, devem estar entre os tantos outros da cidade que precisarão de melhorias para dar condições de igualdade a quem desejar disputar o sonho de uma medalha Olímpica. E porque não.



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