
Pedro e Luis Carlos (acima)
Ao caminharmos pela João Teles, nas manhãs de terças-feiras, nos deparamos com um cenário bucólico e tradicional do bairro, a feira de hortifrutigrangeiros que fornece, além de alimentos para o corpo, uma dose homeopática de amizade e convívio à alma de seus clientes. Aos 62 anos, residente no bairro Jardim Sabará, o feirante Tomé Pereira Rodrigues, ruma todas às terças-feiras para o Bom Fim. Iniciou a sua participação na feira em 1964, sete anos depois da sua criação pela secretaria municipal da Indústria e Comércio, em 1957. Desembarca seus produtos ainda durante a madrugada. Muitos clientes fazem suas compras antes de sair para o trabalho, já os mais idosos deixam para o meio da manhã. No final, como toda a feira que se preze, é a hora da promoção. A pechincha e a negociação são constantes desde o início ao fim da feira.

Odalírio
Outro feirante satisfeito com o trabalho no bairro é Pedro Schwanke, 43 anos. Morador

Tomé
da Zona Norte de Porto Alegre ele é herdeiro dessa tradição familiar. Confidencia que a maioria das frutas e verduras vendidas na sua banca vem da Serra, de Garibaldi, Nova Petrópolis e Farroupilha. “Trabalho aqui na Feira faz 18 anos. Antes de mim, trabalhava aqui um tio meu. Ele ficou aqui 34 anos. Mantive a mesma forma, o mesmo jeito, o mesmo fornecedor, tudo igual ao meu tio”, destaca.
Schwanke gosta do que faz. “Me identifico bastante com a profissão e a minha relação com a comunidade aqui do Bom Fim é ótima”, justifica. Entre os fatos pitorescos do cotidiano ele lembra da época em que se vendia laranja e bergamota em dúzia. “Em vez de botar doze, tinha gente que botava dezesseis, dezoito”, comenta.
Aos 61 anos e há 41 na profissão, Odalírio Silveira da Silva, tem pouco tempo de Bom Fim, apenas quatro anos. “Fiquei muito tempo trabalhando lá no Mercado da Pedra e só recentemente vim para a Feira da João Telles”, conta satisfeito. Ele, no entanto tem uma sugestão que pode ser polêmica entre os colegas e clientes. Para Odalírio, a feira deveria ser nos finais de semana, aos sábados e domingos.
Clientes aprovam a presença dos comerciantes

Seu Odacir é presença certa às terças-feiras
Mesmo com alguns inconvenientes, como a interrupção do fluxo de veículos na quadra onde a feira se instala todas as terças feiras, entre a Rua Henrique Dias e a Avenida Osvaldo Aranha, os clientes aprovam a sua presença no bairro. Odacir Sarturi, aposentado, 72 anos, residente do Bom Fim é um deles. “Venho à Feira para comprar produtos de hortifrutigranjeiros. Por mais que o supermercado ofereça preços melhores, a qualidade dos produtos da Feira é sempre melhor”, diz. O seu Odacir faz parte de uma clientela fiel e que defende a feira com unhas e dentes.
Quanto ao trânsito, ele é restabelecido após o meio dia e, mesmo durante a feira, o lado par da rua é mantido livre, assim como as saídas de garagem no lado impar, permitindo a passagem dos veículos dos moradores locais. Outro fator que gera elogios aos feirantes é o fato de eles manterem o local limpo. Ao saírem do local, antes providenciam o recolhimento de todo o descarte e lixo resultante do seu dia de trabalho.



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