As nuances do Brique da Redenção no verão

Mas nem o calor escaldante, que está se tornando rotina neste verão, impede que turistas ocupem o espaço do tradicional público que habitualmente freqüenta o Brique da Redenção. Todos os domingos, mesmo nesta época do ano, os feirantes oferecem uma variada gama de produtos, desde artesanato, obras de arte, antiguidades, entre outros.

Apesar da redução quantitativa, a mudança do perfil, segundo os feirantes, salvo algumas exceções, faz com que maioria não tenha perda no faturamento.

Paulo Grala vê alto potencial de compra entre os turistas

Paulo Grala, 50 anos, feirante, afirma que há muitos argentinos e uruguaios que vêm às praias brasileiras e, no caminho, resolvem parar aqui em Porto Alegre e conhecer a cidade. “Como os turistas que vêm ao Brique no verão compram mais do que os portoalegrenses, em termos financeiros o movimento acaba sendo igual, mesmo que no inverno venham muito mais pessoas”, ressalta.

E não é só o público que muda. No verão, por conta do período de férias, os produtos também se alteram com a vinda de expositores visitantes e também da recolocação de peças já conhecidas do público habitual. “No verão, muda até o tipo de material que vendemos: há coisas que não estávamos mais vendendo durante o ano e no verão nós conseguimos vender, pois para os turistas são novidades”, afirma Grala.

Esse é também o pensamento de João Batista da Rocha, 56 anos, feirante. “Sou

João Batista tem seu estande no Brique há 27 anos

um dos pioneiros do Brique, trabalho aqui há 27 anos e conheço bem a rotina”. Ele reforça que no verão a quantidade de pessoas que vem ao Brique diminui, “mas, mesmo que venha menos gente, o movimento acaba sendo melhor, porque vem muita gente de fora de Porto Alegre disposta a conhecer a cidade e consumir o artesanato local”.

Evilásio Domingos comunga da posição dos colegas. Feirante há 23 anos no local ele estima que no inverno, em um domingo de sol, cerca de 80 a 90 mil pessoas circulam pelo local. “No verão, boa parte dos porto-alegrenses vai ao litoral. Outros não vêm por causa do forte calor, mas quase sempre tem muito turista nessa época que compensa”, diz.

Mas tem quem ache o verão ruim para negócios. É o caso de Lurdes Caroni. “Como eu trabalho com lã, no inverno eu vendo muito mais do que no verão”. Ela acredita que o Brique deveria estar mais integrado ao turismo. “Os ônibus de excursão que chegam a Porto Alegre poderiam parar aqui”, sugere.

Evilásio Domingos é expositor há 23 anos

Para o índio Kaingang João Carlos Padilha, 60 anos, as vendas só começam a melhorar em

oão Carlos Padilha diz que o maior movimento é na Páscoa e Natal

março, por conta da proximidade da Páscoa. “Nós, índios, vendemos muitos cestos artesanais de palha. Outro período bom é o de dezembro quando costumamos vender grande quantidade de pinheirinhos e guirlannessa das feitas com cipó.”. Trabalhando no Brique há 20 anos, Padilha descreve o local como santo. Para nós, índios, o Brique da Redenção é um lugar sagrado. Aqui nós tiramos o nosso sustento e as nossas crianças vêm para brincar”, finaliza.

Marcos Bahrone é estatua viva desde 2005

O artista de rua Marcos Bahrone, 37 anos, é uma das estátuas-vivas, que no inverno estão em maior número no Brique. Ele resiste ao calor do verão entoando as suas poesias para quem deposita uma moeda no chapéu ao solo. “Trabalho há cinco anos aqui e percebo que no verão o perfil das pessoas muda”. Mas isso não impede que todos que vivem da arte deixem de trabalhar. “Afinal, além dos turistas, tem também as pessoas fiéis, que costumam passear aqui todos os domingos”, arremata.

Para Lourdes, que trabalha com roupas de lã e linha, o verão representa queda nas vendas

Funerária Pio XII




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