Jaime Cimenti, gut-goi, oficial, nada pirata, do Bonfa
Numa noite de sábado, encontrei meu querido mestre, amigo e ídolo Moacyr Scliar na sala de espera de um cinema no Shopping Moinhos. Era um dia depois da morte do Saramago e falamos sobre o escritor português, sobre o artigo do Moacyr na Zero Hora a respeito dele e sobre algumas titudes exageradas e teimosas do Saramago, o primeiro Nobel de língua portuguesa.
Acho eu que, em especial, quanto a Israel, Saramago pisou na bola e deveria ter reconsiderado. Mas conversa vai, conversa vem e sempre gosto de falar com o Scliar e principalmente de ouvílo. Desde os anos 1970, disse para ele que gostaria de vê-lo recebendo o Nobel de Literatura, que acho que ele já fez por merecer e tal. Apesar da minha espontaneidade, da minha sinceridade e do meu afeto, ele, modesto, sereno e educado, não disse nada, mas notei que suas bochechas até ficaram vermelhas.
Logo chegou a Professora Judith, esposa do Scilar e eu tinha de entrar no cinema com Helena, minha mulher e aí nos despedimos. Fiquei pensando que poderíamos todos pensar no encaminhamento da candidatura do Scliar para o Nobel de Literatura. Acho que ele não nos impediria.
A gente sabe como são as coisas em relação ao Nobel, mas, independentemente de qualquer coisa, fiquei feliz só em pensar na idéia. Li quase todos os livros do Moacyr e sempre procurei divulgá-los nos jornais onde escrevi e escrevo, especialmente no Jornal do Comércio. Tenho acompanhado sua carreira de médico sanitarista, escritor e imortal em vida (o Woody Allen disse que gostaria de ser imortal em vida, o Moacyr já conseguiu) e acho que dá para, pelo menos, desejar o Nobel para o autor de O centauro no jardim e criador do eterno Capitão Birobidjan, de O exército de um homem só. Bom, já lancei a idéia, acho que juntos podemos ir adiante, não acham?



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