Almoço no Pampulhão, por Jaime Cimenti

jcimenti@terra.com.br

Dez horas de jejum para a ecografia e aquela fome. Fome, sempre o melhor tempero. Decido almoçar no Pampulhão, ali na Jerônimo de Ornelas. Uma e quarenta da tarde, poucas pessoas, bastante silêncio, coisa boa. Coisa boa que lá não tem aparelho de tevê e os sons do rádio vem de longe, quase inaudíveis. O som ronronante do aparelho de ar-condicionado relaxa. Paredes forradas de madeira, móveis e lustres antigos, aconchegantes.

Me sinto na velha casa do interior quando ouço baterem bife na cozinha, vozes de criança e contemplo, pelo janelão, em meio às árvores e à folhagem, o trânsito calmo da rua. O cardápio é farto, mas peço o prato do dia: bife à milanesa, purê, arroz, feijão e salada mista. Porções generosas, temperos suaves, limão, me lembro das comidas de minha mãe. Arroz soltinho, batata com maionese no capricho germânico, purê na consistência exata, bife de tamanho italiano, muitos grãos de feijão no caldo e uns verdes na salada para aplacar a consciência; beleza!

Com fome, sem pressa e atendido pelo garçom silencioso e gentil, penso que naquele momento melhor é nem pensar e apenas deixar fluir a coisa. De tão satisfeito por não ter nenhuma nutricionista ou palpiteiro alimentar para opinar sobre meu nem tão lauto repasto, fico feliz, até abro mão heroicamente da sobremesa e do café, tomo o resto da água mineral e pago a conta civilizada de R$ 16.00.

Na saída agradeço e digo para o Sr. Fernando, proprietário e “chef” da casa, elogiando, que ele está ficando bom nesse negócio de cozinhar e que o João, o garçom, sabe tudo de atendimento. No dia seguinte, tinha filé de abrotéa no almoço. A abrotéa é da família dos Gadídeos, a mesma do bacalhau. O que é o estudo!

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